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PRONUNCIAMENTO N° 17/2021

Pronunciamento Sobre a Crise Sanitária e de Saúde Pública Vivida no Brasil

“Fale a favor daqueles que não podem se defender. Proteja os direitos de todos os desamparados. (Pv 31:8)

Com a chegada da Semana Santa e na expectativa para a celebração da Páscoa da Ressurreição que a acompanha, o Conselho Coordenador da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil pronuncia-se sobre os fatos que estão acontecendo em nosso país e no mundo.
Após o Brasil ter ultrapassado ao alarmante número de trezentas mil vidas ceifadas e à cifra absurda de mais de três mil mortes em vinte e quatro horas, constata-se a pior crise sanitária e de saúde pública da história do nosso país, caracterizada pela situação de colapso dos sistemas público e privado de saúde em todas as regiões, pelo atraso no início da vacinação e, na sequência, pelo mau planejamento do programa de vacinação. Tudo isso tendo ocorrido pouco mais de um ano depois do primeiro caso de infeção por SARS-CoV-2.
Agrava a condição crítica vivida no Brasil, a postura negacionista e irresponsável adotada pelo Poder Executivo, que quase sempre negou a gravidade da pandemia de COVID-19, chamando-a de “gripezinha”, opondo-se ao afastamento social, ao uso de máscara e à necessidade de medidas de auxílio financeiro aos trabalhadores que seriam impedidos de trabalhar e aos desempregados que não encontrariam novos empregos. Além disso, a principal figura do Poder Executivo incentivou o uso de tratamentos médicos que não são reconhecidos pela Medicina e negou a validade do discurso científico.
Além do mais, não se pode ignorar a falta de empatia que o Poder Executivo manifestou com as famílias enlutadas, com os trabalhadores que ficaram desempregados e com o grande número de pessoas que caíram em profunda miséria ao longo desse período, o que pode ser indicado de modo incontestável pelas várias falas do Presidente da República, como essa proferida no dia 4 de março de 2021: “Chega de frescura e mimimi. Vão chorar até quando?”.
A pandemia causada pela COVID-19 é um fato de dimensão mundial, mas no momento atual, o Brasil é considerado pária mundial e epicentro da contaminação por causa do descontrolado número de casos de infecção, do grande número de mortes, do mal gerido programa de vacinação e da postura negacionista e insensível do chefe do Poder Executivo.

Diante deste cenário infeliz, o CC-IPU pronuncia-se da seguinte forma:

1. A todas as famílias e indivíduos enlutados, proclamamos a fé na ressurreição dos mortos, dos quais Cristo foi o primeiro a ressuscitar (I Co 15.20), e assim nos ensinou a ter esperança porque a morte não é o fim da existência;
2. A todos que estão doentes ou preocupados com familiares e entes queridos que estão enfermos – seja por COVID-19 ou por outros males que não têm podido ser tratados nos últimos dias – rogamos que se fortifiquem na graça que há em Cristo Jesus (II Tm 2,1);
3. A todos que estão aflitos com a situação e inseguros com o futuro, afirmamos que Deus, Pai de Jesus Cristo, é o Senhor da História que compartilha com sua criação o sofrimento da presente era, mas podemos ter esperança que seu reino vem a nós, na terra, assim como é no céu (Mt 6.10);
4. Conclamamos a todas as pessoas de boa vontade a acreditarem na ciência, que é dom de Deus dado à humanidade (Ex 35.31), portanto, incentivamos a se inscreverem para a vacinação, e a praticarem o isolamento, o uso de máscara e as medidas recomendadas para contenção da pandemia;
5. Aos profissionais da área de saúde, que estão sob risco de vida ainda maior que o restante da população, manifestamos nossa gratidão em nome de Jesus e intercedemos por eles, para que Deus proteja-os e mal nenhum chegue às suas tendas (Sl 91.10).
6. Também apontamos para a importância da prática da solidariedade ensinada por Jesus e seus apóstolos, a qual se torna ainda mais necessária e relevante em momentos de crise social, como este que vivemos. “Não nos esqueçamos dos pobres” (Gl 2.10).

– Que a vivência da Semana Santa e da Páscoa de 2021 sejam momentos de celebrar nossa crença na ressurreição, a qual nos convida a partilhar a dor com os que sofrem e, ao mesmo tempo, a esperança da ressurreição e da vinda do reino de Deus, que nos é oferecida previamente pela graça de Jesus Cristo.
Deus nos fortaleça em sua Graça!

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