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Quarto Domingo do Advento

O Advento de Jesus como promessa final de Deus ao seu povo.

*“…Maria, não temas; porque achaste graça diante de
Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, a
quem chamarás pelo nome de Jesus.” Lucas 1.30-31*

O evangelho para este 4º Domingo do Advento nos apresenta o encontro de Maria com o anjo Gabriel (Lucas 1.26-38), o mensageiro da parte do Senhor Deus, Todo-Poderoso, para anunciar o nascimento de uma criança não apenas nascida de mulher, mas vinda da parte do próprio Deus como cumprimento de uma esperança prometida ao povo de Israel. Na narrativa do evangelho de Lucas, a presença do anjo significa um acontecimento do interesse de Deus. Os anjos eram mensageiros da vontade do Altíssimo que realizavam as intervenções da vontade de Deus na vida do seu povo. No caso de Maria, ela, também, seria portadora de uma intervenção divina na vida do povo. O anúncio do anjo Gabriel é algo totalmente inusitado e distante da compreensão da jovem Maria: “Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus.” (Lc 1.35). O mensageiro de Deus anuncia o nome da criança que vai nascer: Jesus, significando que ele seria uma esperança para o povo de Israel. O nome Jesus carrega o sentido de “Deus é salvação”, portanto está sendo anunciada a chegada da salvação de Israel, o cumprimento da promessa feita por meio dos profetas. Há uma surpreendente revelação nesse texto de que Deus tem o poder de tornar qualquer pessoa portadora de esperança e salvação. A escolha de Maria é, em si mesma, uma mensagem de que o Altíssimo Deus visita os mais humildes e indefesos, aqueles que não têm voz e vez na sociedade que gera tanta desigualdade entre as pessoas.

Devemos considerar o grande embaraço e desafio da jovem Maria, ainda não desposada por José, seu noivo quando do anúncio do anjo, pois o fato de não estar desposada a desqualificaria como portadora e sinal de esperança. No contexto judaico da época, não era aceitável que uma jovem noiva recebesse uma visita celestial. Todavia, o Altíssimo Deus parece devolver à mulher a condição de protagonista da história do seu povo. Como evangélicos, vemos, no texto bíblico, a ênfase no anúncio da chegada do Salvador, mas, também, devemos olhar o quanto Deus age para resgatar a dignidade da mulher, pois seria portadora de toda a esperança de um povo, mesmo aos olhos de uma sociedade que poderia ver com desconfiança tal anuncio feito a uma mulher jovem e sem direito a voz em seu tempo. O nascimento era visto em Israel como um sinal de esperança e alegria. Deus abençoava uma família quando permitia o nascimento de uma criança. Era a bênção do próprio Deus sobre toda a família, cujo nome se estenderia por gerações adiante na história. O que não era comum na expectativa da bênção que envolvia o nascimento de uma criança era a presença de um anjo para confirmá-la. O episódio tem paralelo com o anúncio realizado sobre o nascimento de João, o filho de sua prima Isabel com o sacerdote Zacarias. Lucas procura valorizar duplamente a figura da mulher em Isabel e Maria, mas, também, deixar evidente que todo o trabalho sacerdotal em Israel se esgotava e cumpria seu propósito na chegada de Jesus, a promessa definitiva de Deus para todo o seu povo. Não seria o nascimento de mais um homem especial ou um líder visionário, mas que o próprio Deus envolveria a vida de Jesus, isto é, a criança que está sendo anunciada está além da vida presente e sobreviverá às gerações: “… ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim.” (Lc 1.33).

Podemos perceber de que não foi possível para Maria compreender o significado da aparição do anjo e muito menos da grandiosidade da mensagem dirigida a ela. A percepção de Maria quanto ao evento foi de fé e total confiança na mensagem de Deus, assim como ocorre muitas vezes conosco, pois não somos capazes de compreender certos eventos em nossa vida. Às vezes não dimensionamos o quanto pequenas decisões podem afetar significativamente nosso futuro. Deus age em nossa vida e envia suas mensagens, e levamos muito tempo para compreender o quanto Deus estava presente naqueles momentos passados. A chegada de Jesus também necessitou de muito tempo para ser assimilada e entendida como a presença do Deus Altíssimo na vida do seu povo. Como foi que Jesus chegou na nossa vida? Maria precisou de uma vida inteira para perceber quem de fato era a criança que dera à luz. Ela precisou exercer sua fé e confiança na mensagem de Deus até que o testemunho da história revelasse a magnitude da ação de Deus em sua vida e na vida do seu povo. Nós tantas vezes precisamos do testemunho da nossa história para compreender o que insistentemente a mensagem de Deus anuncia todos os dias ao seu povo: “Porque para Deus não haverá impossíveis em todas as suas promessas.” (Lc 1.37).

Cristiane Correia Monteiro
Presbítera da IPU de Brasília, DF
Tesoureira CC-IPU 2020-2023

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